mãe ou filho com dEficiência… toda mãe e filho são especiais

A inclusão de crianças portadoras de qualquer tipo de deficiência, mental ou física, é um tema que a tempos quero falar aqui no Blog, pois ainda temos muito o que aprender para que a educação brasileira seja realmente inclusiva.

Para que isso realmente aconteça, é vital que os ambientes sejam adaptados às necessidades de todas as crianças e adultos, como parques e seus brinquedos, praças, escolas, brinquedotecas, shoppings e demais espaços públicos e privados.

Eu, enquanto professora nas áreas envolvidas na Arquitetura e Urbanismo, e como arquiteta de formação, sempre mantive o comprometimento de projetar e educar os alunos para esta visão mais ampla e correta:

TODOS OS ESPAÇOS PRECISAM NECESSARIAMENTE SEREM ACESSÍVEIS A TODAS AS PESSOAS.

Depois que me tornei mãe, este assunto se tornou mais intenso.

Entender que ser mãe é direcionar o filho, acompanhando a sua evolução nas várias fases de sua vidinha, e que requer força e comprometimento, me faz refletir qual é o tamanho da força e comprometimento de uma mãe que tem um filho com algum tipo de restrição ou que ela mesma a tenha…

Penso e reflito também sobre essas mamães que possuem qualquer problema físico ou mental e firmes, seguem maternando lindamente, amparadas por uma força divina e genuína!

 

No Carnaval deste ano, enquanto meu filho pulando batucava seu pandeirinho frente ao palco em um baile infantil do Sesc Bom Retiro/ SP, notei a chegada de uma mãe com uma criança em torno de 6 a 8 anos, cadeirante e que na minha ignorância, pensei ter paralisia cerebral, pois não sustentava o próprio corpo.

E enquanto aquela mãe adentrava o salão empurrando a cadeira de rodas com sua filha fantasiada, muitos olhares a perseguiram, inclusive o meu.

Acho que muito comum é a curiosidade de todos, neste direcionamento da criança meio a tantas adversidades e preconceitos.

Creio que os olhares eram mais de admiração do que curiosidade, pois a maioria ali eram pais!

A mãe sorridente, ao som da fanfarrinha divertida de Carnaval, tirou lentamente a menina da cadeira e, amparando todos os membros superiores e inferiores da criança com todo o carinho de uma mãe especial, se pôs a dançar com ela por todos os cantos do salão.

E a alegria nos olhos daquela criança se tornaram inesquecíveis para mim!

Graças a Deus, o espaço era completamente acessível e me senti muito feliz em saber que aquela mãe com a filha, poderia curtir a festa exatamente como eu e meu filho!

 

Nesse sentido, o Sesc São Paulo, além das adaptações arquitetônicas em unidades já existentes e da inclusão do desenho universal nos novos equipamentos, disponibiliza bibliotecas com acervo e equipamentos de acessibilidade. Rico…

Outro exemplo bem bacana que conheci este ano, foi o Instituto Noisinho da Silva, uma ONG fundada em BH que desenvolveu dois produtos de design inclusivo para transformar a realidade de jovens e crianças dEficientes físicas, com foco na inclusão social.

O primeiro produto é esta Carteira escolar na foto acima, vencedora do concurso de design Handitec, na França, e que possibilita que a cadeira de rodas entre por debaixo da mesa. Um projeto fruto de parceria da ONG Noisinho da Silva (fundadora Érika Foureaux) com o designer carioca Guto Índio da Costa.

O outro produto é a Ciranda, uma cadeira de chão para ajudar a retificar a postura de crianças entre 0 e 6 anos com paralisia, sendo mais que um aparelho ortopédico, pois possibilita que ela possa sentar no chão com as demais crianças nas diversas atividades.

E o mais gratificante, eles criaram a Oficina da Ciranda, onde ensinam e acompanham os pais a fabricarem a cadeira dos filhos, gratuitamente. 

http://www.noisinhodasilva.org

É isto!!!

Crianças e mamães com necessidades especiais não precisam de compaixão, precisam de atitudes em relação a elas que certamente qualquer pessoa pode oferecer!

Carinho, Compreensão e Inclusão Social através de mobiliário e espaços acessíveis são três delas…

 

E falando em tornar o local principal, o lar, adequado aos portadores de necessidades especiais e/ou mobilidade reduzida, algumas adaptações na casa são necessárias para tornar a vida mais fácil.

Creio que o mais importante e que seja o principal objetivo nestas adaptações, seja proporcionar conforto, segurança e total autonomia à esta mamãe ou criança especial.

Pensando em fáceis adaptações, porém muito úteis, listei abaixo 7 intervenções na casa que já ajudam bastante.

As fotos na sequência, exemplificando os itens, são da Mostra de Design Universal no https://larcenter.com.br/ que tive o prazer de participar em 2012 com a Designer Melissa Lira, projetando e executando o espaço COZINHA ACESSÍVEL.

 

São elas:

 

1. A primeira modificação é providenciar rampas e o nivelamento de pisos, pois pessoas que usam cadeira de rodas, andadores e bengalas ou possuem visão comprometida, têm muita dificuldade para se locomover em pisos inclinados e escadas.

Prefira sempre pisos antiderrapantes e elimine todos os tapetes da casa.

……

2. Para as mamães cadeirantes, a cozinha deve ser totalmente adaptada à altura de uma pessoa sentada.

Na foto abaixo, a adaptação na altura convencional da pia (faixa vermelha com 0,90m) para a altura de 0,75m (faixa verde), onde a pessoa sentada consegue realizar as atividades.

É importante que não tenha armários embaixo para o encaixe completo da cadeira de rodas.

3. Corredores largos e sem obstáculos são essenciais também.

Cadeirantes, pessoas com bengalas, muletas ou andadores precisam de no mínimo, um metro para se locomoverem sem se chocar com as paredes.

4. Portas e janelas devem ter maçanetas e puxadores especiais tipo alavanca, para o caso da pessoa não ter braços ou mãos com atividade plena.

Na foto abaixo, a torneira além de ser grande e de fácil manuseio, tem um acionamento único para água quente e fria, facilitando o uso.

5. Nos dormitórios, prefira móveis de cantos arredondados para evitar ferimentos e camas com alturas tradicionais.

Nos quartos infantis, é melhor que os móveis sejam dispostos nas paredes, para se criar um vão livre central, ideal para manobra da cadeira de rodas.

As prateleiras também devem estar na altura de conforto para a utilização com autonomia.

……

6. No banheiro, os cuidados devem ser redobrados.

Além do piso antiderrapante principalmente no box, é preciso providenciar barras de apoio de aço inox atendendo à Norma NBR 9050 – que estabelece dimensões e resistência apropriadas.

Um banquinho fixo na parede do box, ajuda o adulto ou criança a ensaboar-se com tranquilidade e autonomia.

É interessante para o cadeirante, que a bacia sanitária seja substituída por uma mais alta e específica ou criar-se um desnível, para facilitar a transferência da cadeira na bacia.

7. Para as mamães cadeirantes, é importante que todos os equipamentos eletroeletrônicos na cozinha estejam em uma altura confortável e segura ao manuseio durante o preparo dos alimentos.

As bancadas devem ter um recuo na parte inferior, possibilitando o encaixe dos pés e facilitando a aproximação.

 

Adaptar sua casa pode tornar-se necessário quando você envelhecer ou até se você ou seu filho passarem por deficiência temporária, como fraturas ou cirurgias.

Que tenhamos respeito pelo outro, sejam quais forem suas possibilidades físicas e mentais…

Porque Deficiência e Eficiência todas as pessoas têm!

 

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mãe, e você tem culpa de quê?

 

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